A cena é eu no divã comigo mesma...
É muito ruim ser filha única, porque a gente está sempre só em todas as situações.
Lembro-me de minha infância em que eu sempre brincava sozinha. Às vezes encontrava alguma amiguinha e nosso tempo de brincadeira parecia sempre curto. Quando ela ia embora, eu sentia pesar e depois ficava jururu.
Às vezes acho bom ser filha única, porque se minha(meu) irmã(ão) fosse melhor que eu, tenho certeza que meu pai ia ficar nos comprando. Ou se fosse o contrário, meu pai iria rebaixá-la(o) mais e eu me sentiria mal do mesmo jeito. Talvez minha(meu) irmã(ão) me rejeitaria por sermos diferentes e meu pai acentuar a diferença.* Ou talvez minha(meu) irmã(ão) me encobriria e me daria mais coragem pra enfrentar meu pai e o resto da família. Então eu seria dobradamente corajosa. Ou seria uma ovelha mais negra ainda.
Sim. Eu sou a ovelha negra da família.
Neste momento, eu estou escutando Janis Joplin. Eu sempre admiro a voz rouca dela. Adoro! *-*
Ontem briguei com meu pai. Mas não deixei ele me abalar. Quando ele começou (é sempre ele quem começa) a duiscutir comigo, eu saí de casa e fiquei sentada lá fora até ele ir embora. E ele se foi em silêncio, de cabeça baixa. Aposto que ficou com remorso.
Apesar desses aborrecimentos que me acontecem, tem muita coisa que me mantém feliz. A Dedé (minha tia com quem eu moro) me trata bem e civilizadamente. Meu namorado é perfeito! Um anjo que caiu do céu, só pra mim. O Teatro permite que eu me expresse mais e dá asas à minha imaginação.
* Porque todos nós somos diferentes uns dos outros.

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