segunda-feira, 28 de março de 2011

A arte de ser criança

Pois é. Agora estou desenhando estampas para roupas. Estou a-do-raaaaaaaaandoo o serviço! xD Claro, né! É uma coisa que eu gosto! E trabalhar numa coisa que a gente gosta é outra história! xD
Além de estar trabalhando numa coisa que eu gosto, o ambiente também é agradável. Chic Silk Estamparia. Quem me colocou lá foi meu querido amigo, Sávio. Os donos: Célio, Jamylla (esposa dele) e Bellinha (a filha do casal). Eu quase não converso com o Célio. Ele é muito quieto, lerdo e fechado (talvez por causa da esposa). A Jamylla é muito gente boa! Doidinha de tudo! Rsrsrsrs!! Eu adoro ela! xD O problema da Jamylla é que ela é uma pessoa muito ciumenta e possessiva. Já criou caso com várias mulheres que trabalharam aqui. Mas eu, fui convidada por ela própria. =D Isso é o máximo! Eu sou mesmo uma pessoa revolucionária. Kkkkkkkkkkk!!!! A Bellinha, tem 6 anos e é uma garotinha linda e muito inteligente!
Uma vez ela disse uma frase muito linda pro Sávio. “Deixa a mente bem aberta que a magia acontece.” Cara! Menina de 6 anos falar isso é muito phod@! Eu não acreditei que ela falou isso. Mas agora acredito. O Sávio e a Jamylla estavam discutindo (quebrando o pau), enquanto eu ensinava o dever de casa pra Belinha. Eu tive a honra de assinar meu nome no caderno dela pra professora ver. xD Mas continuando, o pau tava quebrando lá e eu preocupada. Não aguentei e soltei essa pra Bellinha:
-- Ai, Bellinha! Tô preocupada com os dois brigando lá.
-- Ah! E daí? – ela respondeu. – Deixa eles brigar pra lá! Problema deles!
-- Verdade. – concordei.
-- Pelo menos eles não estão brigando com a gente, né! – concluiu Bellinha com um belo sorriso.
Eu disse pra ela que a admiro muitíssimo! 6 anos e tão equilibrada. Mais equilibrada que todos nós, aqui na estamparia. A resposta foi o silêncio. Ela deve achar isso muito normal. E eu aqui, feito boba, admirando-a. Kkkkkk!!!
Acabado o dever, ela quis me mostrar o caderno de exercícios feitos em sala de aula. Eu olhei com o maior prazer, lembrando, também, de quando eu tinha a idade dela. Tinha atividade lá que era de contornar o traço, sem sair da linha. E ela contorna direitinho. Eu me lembro que as minhas linhas ficavam todas fora do lugar. Talvez porque eu era uma criança muito nervosa e agressiva. Meus pais brigavam todo dia lá em casa, antes de eu dormir. E eu chorava todo dia por causa disso e tinha pesadelos todos os dias. Na escola, eu batia nos coleguinhas que davam motivo pra apanhar. Muito brava e descontrolada que eu era. Agora fico vendo a Bellinha e achando-a linda, morrendo de inveja. Rsrsrsrs!!
Depois ela disse pra mim que sabia fazer tatuagem e pediu que eu deixasse-a fazer no meu braço. Eu deixei. Ela pega o lápis azul, dá umas lambidinhas e colore uma asterisco no meu braço. A cor ficou perfeita! Kkkkkkk!!! Tá. Eu sei que é nojento. Mas eu não tenho nojo da saliva da Bellinha, não. Quê que tem? Quando eu beijo alguém também pego a saliva do outro e ainda passo pra minha boca! Kkkkkkkk!!! Depois ela fez um coração. Eu empolguei e desenhei um coração cheio de agulhas (aquele da Aline). E a gente ficou um tempão, uma rabiscando a outra e fazendo cosquinha. Mó festa!
-- Cê conhece a Júlia? – perguntou a pirralha.
-- Nhaa, eu conheço uma. Agora, a Júlia eu não conheço.
-- Hum... É, mas é Júlia também, né!
-- É. É tudo Júlia, né Bellinha! Rsrsrs!!
-- Júlia é minha prima.
Daí ela contou um monte de caso de sua amiguinha prima.
-- Eu tinha uma amiguinha que chamava Júlia. – disse eu.
-- Eah!? Mas você não brinca com ela mais não?
Eu ia responder, mas a menina já foi logo adivinhando tudo e me interrompendo.
-- Ah, já sei! É porque você cresceu e quando a gente cresce, a gente não brinca mais com os amiguinhos.
-- Ah, mas é porque eu perdi contato com ela, sabe.
-- Ué! Liga pra ela!
-- Mas eu não tenho telefone dela! Eu tenho o Orkut e o MSN. Mas a gente quase não conversa mais.
Essa eu fiquei com a cara enorme, viu! Muito phod@ isso. A gente cresce e esquece dos velhos amiguinhos. Pra ser sincera, eu não esqueci da Júlia, nem da Fabíola, nem do Rubens, do Cícero, da Luciana, Camila, Letícia (Lelê), Kerinha, Gabriela, Lulu, etc. Tenho até saudades deles todos. O problema, é que quando a gente cresce, todo mundo fica diferente, segue caminhos diferentes e têm gostos diferentes. Um exemplo clássico disso foi a minha amizade com a Kerinha. Nós éramos amigas inseparáveis. Talvez seríamos ainda, se não houvessem circunstâncias prejudiciais. A mãe da Kerinha tinha mania de querer que ela crescesse rápido e por isso jogava fora todos os brinquedos da menina e comprava roupinhas parecendo roupa de adulto. Resultado: a menina cresceu e ficou meio bobona. Aprendeu a não valorizar certas coisas e ignora os maiores tesouros. Ela tira foto no celular, depois que enjoa de ver as imagens, joga tudo fora. Aí quando ela ficar velha, vai querer ter foto de mocinha e não vai ter. Sem falar que ela está sempre trocando os amigos velhos por novos, ao invés de manter todas as amizades que encontrar pelo caminho.
Este é o problema: as pessoas crescem e não sabem valorizar as coisas mais simples da vida. E ninguém vê a magia das coisas. A Bellinha e outras crianças, vê. Quando essa menina crescer, será uma grande mulher. Provavelmente, com uma sabedoria imensa e um grande coração.

Um comentário:

  1. Eeei Ana, estava com saudades...
    Adorei o post, muito interessante e sagaz como sempre!
    Ah! Eu, assim como vc, tb tenho o prazer de conviver com uma criança de 6 anos phod@ como a Bellinha, se chama Maria Luiza, e é minha sobrinha.
    BjBj

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