terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estranho jeito de amar

Eu fico indignada de observar as atitudes do meu pai quanto a mim. Eu sei que ele ma ama muito, lutou muito pra ficar com a minha guarda quando se separou da minha mãe, sempre me deu o necessário (só o necessário mesmo assim reclamando que tem que me dar alguma coisa). Coitado! Ele lutou tanto pra me ter e agora vai ficar sem mim. Porque eu não tô aguentando ele mais. A situação está passando dos limites. Já decidi que eu vou morar com a minha mãe. Já conversei com ela e vou falar com a minha avó (que mora com a minha mãe).
Eu e meu pai somos dois estranhos dentro de casa. Eu sou muito tolerante. Já suportei muita coisa ruim. Apesar de tudo, meu pai sempre foi meu amigo a infância inteira. A gente tinha altos papos abertos. Ele me ensinava sobre Deus e a Bíblia, me dava carinho (apesar de tudo), brincava comigo... A gente conversava sobre muitas coisas. Tínhamos intimidade. Ele confiava em mim e eu podia ir pra casa de amiga, ia até em barzinho! :P A Dedé (uma das minhas tias) era quem me levava.
Isso foi até o chegar da adolescência. Ela veio e com ela veio as curiosidades, as descobertas e o Daniel. Eu sabia que meu pai nunca ia me deixar namorar. Mas eu me apaixonei. Que culpa eu tive? E eu sou mulher, sou artista. Eu sou sensível. E não consigo segurar as minhas vontades. As coisas do coração. Isso é normal! Que culpa eu tenho? Quando meu pai descobriu que eu estava namorando o Daniel, (ele até que tentou conhecer o rapaz que me abandonou) ao invés de me dar um colinho, ficava me acusando, dizendo que não ia dar certo mesmo, que adolescente não ama (o cu dele!). Eu me senti muito mal o dia que eu vi o Daniel mudando do prédio onde morava. Chorei até. Chorei desoladamente na varanda do meu apartamento, escondida do meu pai. E pus o Lô Borges bem alto que era pra ele não escutar os meus prantos. Mas ele entra de súbito na varanda e pergunta se eu estava chorando. Eu disse que não. Ele teimou que sim e perguntou se era por causa da mudança do Daniel. Aí eu desabei mais a chorar. ... Nessa hora, ele bem que podia me dar um abraço e dizer que eu ia esquecer isso tudo (apesar de que não adianta nada falar isso pra mim, porque eu não esqueço), dizer que vai passar, que já aconteceu isso com ele também (creio que já), qualquer coisa do tipo. É uma forma de se achegar a mim. Mas não. Ele disse apenas: “Bom pra você!”, no tom mais frio e saiu. Eu fiquei tão frágil... u.u Ao invés de conversar mais comigo, tentar ver o que eu sinto e tentar me compreender (não precisa me entender, basta tentar me entender), meu pai me prendia dentro de casa, me humilhava, dizia que eu era inútil, vagabunda, que eu não sirvo pra nada. Ele continua dizendo essas coisas de mim. Eu aguentei demais. Mas agora não dá. Já chega!
Fico indignada de ver o desinteresse dele por mim. Tem um garoto na minha escola que tem uma mãe que é mais ou menos como o meu pai. Brava demais e superprotetora. A coitada da mulher é muito desequilibrada. Mas ela, pelo menos, demonstra mais amor ao seu filho. Ontem eu fui na escola ver se conseguia alguém que me arrumasse o trabalho de Matemática prontinho pra eu copiar. Recuperação é assim, né! A gente tem que correr atrás. Lá estava a mãe do tal garoto. Ele custando fazer os trabalhos e ela aflita pra que ele conseguisse. Aí ele foi pra sala e ela ficou desabafando comigo. Me disse o quanto está preocupada com o filho dela, perguntou se eu podia ajudar ele de alguma forma (eu bem que tentei, mas eu odeio Exatas), disse o quanto se preocupa com o filho, coisas de mãe. Ela foi me contando um monte de coisa dela, chorou e eu dei um abraço nela (abraço é sempre bom. Às vezes a gente não precisa dizer nada, só dar um abraço já tá bom). Aí eu elogiei ela, dizendo que admiro o interesse que ela tem pelo filho. Parecia até que quem tava de recuperação era ela! Vê lá se meu pai tá se importando com a minha formatura. Ele não tá nem aí seu eu passei ou se peguei recuperação. E se eu tomar bomba ele ainda briga comigo! É só um motivo a mais pra brigar comigo (ele adora brigar comigo). Toda a vida eu fui o saco de pancada do meu pai. Sempre que ele está nervoso, ele caça jeito de brigar comigo.
Atualmente, eu estou desempregada e se Deus quiser, vou formar o Ensino Medio esse ano. Seria bom eu arrumar um emprego decente. É por isso que eu estou procurando emprego. Assim eu ganho mais autonomia, compro minhas coisinhas e guardo o que sobrar na minha poupança. Meu pai fala que eu não preciso ficar tão desesperada, porque eu tenho ele pra me sustentar. Cínico que ele é! >.<’ Ele me sustenta, mas diz que eu sou inútil e ingrata. Pois se eu sou ingrata, eu aprendi a ser assim foi com ele. Porque ele não vê as coisas boas que as pessoas faz. Isso não é só com relação a mim. É com todo mundo. Ele é o maior ingrato! Eu podia dar tanta felicidade ao meu pai, se ele ao menos percebesse os bons momentos que podemos ter. Aí eu deixei currículo numa fábrica de confecções que o colega dele me indicou e contei pra ele. Ele disse que lá só trabalha mulher vagabunda. Ah, me ajuda, né! Vagabundas elas não são. Afinal elas trabalham. Mas pode ser que sejam más companhias. E quem é meu pai pra falar das operárias da fábrica? Ele nem trabalha lá pra saber! Outra coisa: má companhia em todo lugar tem. Mas aí eu apelei. Todo lugar que eu vou ele bota defeito. A fábrica tem má companhia, a padaria explora demais, o supermercado trabalha até tarde demais. Ah, vai à merda!
Ainda não conversei nada com meu pai a respeito de eu morar com a minha mãe. Mas ele vai ter que deixar eu ir, porque eu tenho direito de escolher com quem quero morar, tenho direito de ir e vir e se ele for contra, eu chamo a polícia.
Eu sei que ele me ama muito. Mas não dá pra compreender. É um estranho jeito de amar.

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