sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cambalache

Raul Seixas


"Que o mundo foi, será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos, safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século XX é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados
Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
'Egnorante', sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura, outro afana em sua ambição
Dá no mesmo seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador
Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer é um senhor, qualquer é um ladrão
Misturam-se Beethoven, Ringo Star e Napoleão
Pio IX e Dom João, John Lennon e San Martin
Igual como na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a Bíblia junto ao aquecedor


Século XX "cambalache", problemático e febril
O que não chora não mama
Quem não rouba é um imbecil
Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vão encontrar
Não penses mais, senta-te ao lado
Que a ninguém importa se nasceste honrado


Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o
Que cura
Ou mesmo fora-da-lei"

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